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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

“Derby Girl”, por Shauna Cross | RESENHA

Título: Derby Girl
Autora: Shauna Cross
Tradutora: Alda Lima
Editora: Galera Record
Ano da edição:
2009
Páginas: 240
Título Original: Whip It
Primera Edição: 2007

País: Estados Unidos
ISBN:
9788501086396
Avaliação: ☺☺☺☻☻

Há uns 8 ou 6 anos atrás foi a primeira vez que ouvi falar de Derby Girl no blog Garota It… que nem existe mais! – aqui faço um parêntesis pra quem não é dessa época da blogosfera literária: esse era o blog da Pãm Gonçalves, que hoje é uma das maiores booktoubers do Brasil! Isso foi bem naquela época de começo da minha adolescência em que eu lia muitos livros da Galera Record!

Eu sempre quis ler Derby Girl porque o livro põe em foco o esporte Roller Derby. Mas afinal, o que é Roller Derby? É um esporte sobre patins que

é praticado em uma pista oval, cada time com cinco jogadoras. Uma dessas jogadoras é a atacante e as outras quatro bloqueadoras. O objetivo é a atacante dar o maior número de voltas na pista, ultrapassando o maior número de adversárias e marcando pontos para a sua equipe. (FIGUEIRA apud OLIVEIRA, 2014).

No Brasil, o esporte é pouco conhecido… Recomendo que deem uma olhada na página do Roller Derby Brasil e na página do Brasileirão de Roller Derby – inclusive, uma das minhas metas para 2017 é ir a uma partida! Ah, e também tem o grupo Roller Derby – USP pra quem for estudante do Uspício! :P

Enfim, em 2016 eu finalmente tive a oportunidade de ler o livro porque, passeando pela 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com a minha amiga Jéssica Maria, encontrei Derby Girl em uma banquinha e claro, era agora ou nunca: comprei o livro!

Vocês podem perceber que tinha uma expectativa quanto a este livro, mas antes de contar se o livro atendeu às minhas expectativas ou não, vou contar um pouco da sinopse para vocês!

Derby Girl é narrado em primeira pessoa pela protagonista Bliss Cavendar: uma adolescente de 16 anos, fã de indie rock e que vive na cidade de Bodeen, localizada no interior do Texas (EUA). A mãe de Bliss é viciada em concursos de beleza e o seu sonho é que Bliss também leve a coroa de Miss Bodeen, mantendo o legado da família: tanto a mãe quanto a avô de Bliss já foram coradas Miss Bodeen. Entretanto, Bliss não se enquadra nenhum pouco no esteriótipo de Miss. Ela se sente sufocada nesse ambiente e não vê a hora de dar o fora dessa cidadezinha do Texas.

Um dia, fazendo compras com a mãe, Bliss vê um panfleto sobre Roller Derby e ela não tem dúvida: deve ir assistir a uma partida acompanhada da melhor amiga, Pash! A partir daí a vida de Bliss muda completamente e passa ela a levar uma vida dupla: ora a futura Miss Bodeen, ora Babe Ruthless, a melhor atacante dessa temporada de Roller Derby.

O campeonato acontece na capital do Texas, Austin. É nessa cidade também que acontece o Festival SXSW (South by Southwest Conference & Festivals), o qual é citado brevemente em Derby Girl. Vou comentar mais sobre este festival na resenha de Mas Você Vai Sozinha? da Gaía Passarelli.

Bom, mas voltando à Derby Girl, infelizmente o livro não correspondeu às minhas expectativas. Pra começar, a Bliss é uma protagonista chata, muito mimada… faz tudo do jeito que quer e está sempre desobedecendo os pais. Inclusive, esse jeito de ser da Bliss acabando prejudicando a amizade dela com a Pash. Eu entendo que Bliss é uma adolescente buscando conhecer a si própria e achar o seu lugar no mundo, mas talvez a autora pudesse ter dado uma personalidade mais agradável à protagonista. Acho que de tanto a personagem ficar reclamando da vida, o livro ficou meio chato lá pela metade e eu parei de ler por um tempo, por isso só terminar agora começo de 2017.

E sobre o “crush” de Bliss, é fato que senti empatia por ela devido ao que aconteceu… A adolescência faz com que façamos coisas pelas quais nos arrependemos depois, e, infelizmente, não há volta. Mas depois da tempestade, vem o sol!

Quanto à narrativa, é muito breve. Os capítulos são curtos, não têm mais de quatro páginas. Por um lado, isso é bom porque a leitura é rápida, mas por outro é ruim, pois cenas como o desfecho acontecem tão veloz que não parecem verossímeis. Talvez isso aconteça porque a autora, Shauna Cross, é, na verdade, roteirista. Acho que aquilo que ela escreveu ficou muito melhor no filme baseado em Derby Girl, intitulado Whip It (Garota Fantástica) de 2009. É o primeiro filme dirigido pela Drew Berrymore e a Bliss é interpretada pela Ellen Page (a mesma atriz de “Juno” ♥). Confira o trailer abaixo:

Apesar das falhas da narrativa, ao final da leitura passei a gostar mais da Bliss, porque ela aprendeu com os erros e a ver o Roller Derby como uma forma de emponderamento feminino: uma saída dos fúteis concursos de beleza que a mãe de Bliss insistia que ela participasse. É também uma fuga desse esteriótipo de que as mulheres tem que ser perfeitas, o que é ilustrado pelo gif abaixo! hehehe

Menina_Pulando_na_Lama_Feminismo

Legenda: “’Comporte-se como uma mocinha!!’ Eu:”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

OLIVEIRA, Bárbara. Conheça o Roller Derby, o esporte que tem conquistado as meninas. Gazeta Online. Disponível em: <http://www.gazetaonline.com.br/ _conteudo/2014/11/esportes/mais_esportes/1501474-conheca-o-roller-derby-o-esporte-que-tem-conquistado-as-meninas.html>. Acesso em 3 jan. 2017.