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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Resenha: “Cinderela Chinesa: a história secreta de uma filha renegada”, de Adeline Yen Mah

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Título original:Chinese Cinderella: The Secret Story of Unwanted childhood”
ISBN: 8535908455
Páginas: 176
Editora: Cia das Letras
Tradutor: José Rubens Siqueira
Ano: 2006
Avaliação: 5 estrelas

Dicas: Se vocês clicarem no nome das cidades que irão aparecer durante a leitura do post, surgirá uma lindíssima imagem panorâmica do local. Nos pictogramas, é o link do Google Tradutor para a palavra.

O livro “Cinderela Chinesa: a história secreta de uma filha renegada”, de Adeline Yen Mah é uma biografia da autora sobre a infância e parte da adolescência que viveu na China, entre 1936 e 1952, período em que ocorrem revoluções e guerras no país.

O título “Cinderela” veio muito a calhar, pois Adeline realmente viveu em condições bem parecidas à da Cinderela “italiana”. Italiana? Pois bem, no final do livro nós descobrimos que a Cinderela que conhecemos, da versão italiana, pode ter sido uma cópia ou adaptação da história chinesa, que é oitocentos anos mais antiga! Interessante também é que o livro contém a história da Cinderela Chinesa, em pictogramas e a tradução.

Pictogramas (象形图)? São aqueles desenhos (图纸), e livro têm vários deles, principalmente depois do nome de uma pessoa ou de um lugar.

A vida de Yen Jun-ling (no início explica bem como as pessoas se chamam, porque em cada ocasião é usado um nome. Yen é o sobrenome, e sobrenome chinês vem antes do nome.) é muito difícil. Ela têm 4 irmãos, e após o nascimento dela, a mãe faleceu. Por conta desse fato, os irmãos acham que ela trás azar.

Um ano depois da morte e nascimento de Jun-ling, o pai dela casou-se novamente. Jeanne tem dezessete anos, e é catorze anos mais nova do que ele, e ainda por cima, ela é eurasiana: meia francesa e meia chinesa. A madrasta terá um casal de filhos, e totalizará 7 filhos (3 meninas e 4 meninos).

Boa parte da infância, Jun-ling viveu em Tianjin (天津市), depois em Xangai (上海), e por último em Hong Kong (香港). Cada vez que eles mudam de cidade, normalmente o idioma muda. Como assim? Depende da concessão sob a qual a cidade estava. Outra informação muito útil é o mapa da China na primeira página, que ajuda se localizar durante a leitura.

Em Tianjin, Adeline viveu a parte menos difícil de sua vida na China. Mas, em Xangai, muitas mudanças aconteceram. Entre elas, na própria casa houve uma segregação, em que o primeiro andar (sala e cozinha) só podia ser usado livremente pelos filhos da madrasta. O segundo andar, só tinha os dormitórios dos pais, e os filhos do segundo casamento. Já no terceiro andar, ficaram todos os outros filhos, mais a tia e o avô.

A vida do filhos do primeiro casamento é totalmente diferente da dos irmãos: as roupas, a comida, até o corte de cabelo. Primeiramente, Yen estudava no colégio e dormia em casa. Mas, depois que a madrasta descobre uma falha que Yen cometeu, ela é mandada para um colégio interno em Tianjin, cidade que os comunistas chineses iriam ocupar em breve, e mesmo assim, os pais dela a mandaram para lá, sem dó e nem piedade.

A maioria das atitudes da madrasta, e falta de atitude do pai, que quando não fazia nada, agia com excesso, me deixaram revoltada! Algumas partes me fizeram chorar, chorar muito, como o episódio do patinho. A leitura me prendeu tanto, que li em apenas um dia.

A vida que Adeline Yen Mah viveu na China, ninguém deveria viver. Mas, o fim mostra que se você se esforçar, tentar sempre ser o melhor, ser bom nos estudos, dar valor às pequenas coisas, você pode sim e obterá muitas vitórias na vida. “Cinderela Chinesa: a história secreta de uma filha renegada” é um livro que recomendo para qualquer pessoa, jovem ou adulto, qualquer um irá se emocionar com a história.

Obs.: No capítulo “Pós-escrito” conta um resumo da vida da menina após o livro. Mas, a história completa está em “Falling Leaves”, que fiquei louca para ler, só que infelizmente, ainda não foi lançado no Brasil.